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PESQUISA

Equipamento inova no diagnóstico oftalmológico

Goiano, Dr. Augusto Paranhos Júnior coordena estudos com aparelho construído em parceria com físicos e engenheiros

Marly Paiva ( Jornal O Popular)

Um novo aparelho, desenvolvido por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, e por físicos e engenheiros da empresa Eyetec, de São Carlos, modelo inovador de pupilômetro, abre caminho para diagnósticos de doenças que afetam a pupila. Publicado este ano em revista oftalmológica internacional, o invento permite o monitoramento dinâmico da pupila com vários tipos de estímulos luminosos que mudam de intensidade, cor e posição.

A cada estímulo (como a emoção ou o efeito de medicamentos) a pupila reage de uma forma. Se for possível, com a observação em vários intervalos, definir padrões de respostas, os estudiosos poderão diferenciar aspectos singulares de cada doença, definir de que forma ela afeta a pupila e chegar ao diagnóstico.

O equipamento está na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba (MG), onde o professor João Antônio Prata faz testes em portadores do mal de Chagas. O exame da pupila pode indicar o estágio da doença.

O aparelho é apenas uma das novidades que a convergência tecnológica está possibilitando à medicina, explica o oftalmologista Augusto Paranhos Júnior. Coordenador do estudo, ele ressalva que, no caso, predominou o campo da física e chama atenção para a tendência de integração entre as diferentes áreas do conhecimento. “Temos no hospital pesquisas em neuroimagem com altíssima resolução e que servirão para estudos em câncer, Parkinson, Alzheimer, epilepsia e mesmo glaucoma”. São estudos que envolvem profissionais da física, da genética e da informática.

Diretor de pesquisa clínica do hospital, Paranhos explica que para essas investigações científicas a colaboração das outras ciências tem sido essencial. Sem essa associação, o hospital teria de pagar caro pela tecnologia desenvolvida fora. Utilizada em muitos países, a convergência tecnológica está aumentando substancialmente no Brasil e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) tem adotado uma política específica de apoio.

“Desenvolvemos pesquisas quanto a marcadores para ressonância e tomografia, podemos identificar moléculas, receptores tumorais, neurotransmissores, além de ver como o cérebro está funcionando e não só onde há lesão”, informa, ao falar de estudos em neuroimagem funcional. É a área de convergência que utiliza nanotecnologia e se chama imagem molecular. Nesse campo, o hospital desenvolveu estudo sobre o mal de Parkinson, quantificando o neurotransmissor envolvido na doença. ¤

Pesquisadores buscam novas drogas

Com centenas de médicos envolvidos em pesquisas, o Hospital Israelita Albert Einstein participa também do desenvolvimento de drogas novas. “Uma das linhas de trabalho aborda a neuroproteção e esperamos ter, muito em breve, alternativas de tratamento para doenças vasculares cerebrais e doenças neurodegenerativas, mesmo o glaucoma”, adianta o oftalmologista Augusto Paranhos Júnior.

A neuroproteção, diz o pesquisador, é ferramenta essencial para qualquer centro de pesquisa que queira trabalhar com células-tronco de tecido nervoso. Sem que o organismo do paciente ofereça ambiente favorável para o crescimento e diferenciação da célula-tronco, não há como o tratamento ser realizado, ele esclarece. Quanto ao glaucoma, a morte da célula nervosa não ocorre só no olho.

Está provado que morrem também as células do cérebro que fazem conexão com as primeiras e morrem ainda outras que com essas se relacionam. É motivo para o interesse pela neuroproteção e para estudo com uso de neuroimagem funcional e imagem molecular em glaucoma. Para o diagnóstico da doença, é esperado também um software em desenvolvimento por parceria com empresa da área e que vai possibilitar avaliação tridimensional do nervo óptico.

Paranhos diz que o Brasil e, em particular, o Hospital Einstein, dispõem de ferramentas para mergulhar nas investigações. “Não perdemos para nenhum centro em infra-estrutura nessa área”, explica Paranhos, que é formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutor e livre docente pela Escola Paulista de Medicina, com pós-doutorado em glaucoma pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

A opção pela convergência tecnológica está aproximando o hospital também da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo. Um dos projetos é o desenvolvimento de um laboratório em comum, no campo da hidráulica, e que permitirá medir fluxos corporais do coração, vasos periféricos e mesmo do olho. Trabalharão também com microssensores de pressão. Com a mesma estrutura, poderão testar drogas novas e estudar doenças. “Sem esse tipo de política de visão global, não existe produção de conhecimento, continuaremos comprando tecnologia de fora”, ele alerta.

 

 

 


   

 

 

 

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