Mundo Mulher

Vista Cansada?

Dra. Julaine Paranhos
Dr. Paulo Schor

- O que existe atualmente para solucionar este problema? Presbiopia, mais conhecida como vista cansada, é a perda da capacidade de acomodação.

Durante a acomodação o cristalino,lente natural do olho, sofre uma deformação e, graças a isto, é possível focar objetos próximos. Por volta dos 40 anos o cristalino torna-se enrijecido e o processo de acomodação fica comprometido surgindo então a dificuldade para ver de perto.

A tendência é esta dificuldade ir aumentando com o passar dos anos. Um artigo publicado no American Journal of Ophthalmology em abril deste ano mostrou que a presbiopia, quando corrigida com óculos, tem um impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes e que 10% destas pessoas seriam candidatas a algum outro tipo de intervenção que não óculos. Muitos acreditam que a única solução para a presbiopia são os óculos para perto ou para leitura. Na realidade não é só isso. A presbiopia pode ser corrigida com óculos, lentes de contato ou cirurgia. Então, entenda melhor cada uma destas opções e escolha a que se encaixar melhor no seu estilo de vida.

ÓCULOS

As lentes multifocais ou lentes progressivas evoluíram muito nos dois últimos anos. Estas lentes têm um "corredor" central onde se obtém a melhor visão para longe (no centro) e para perto (embaixo). Fora deste corredor, ou seja, nas laterais da lente há aberrações e as imagens formadas nestes pontos não são nítidas. A tecnologia disponível hoje para a confecção das lentes progressivas permite um melhor controle destas aberrações e isto melhora a visão de contraste, amplia o campo de visão para longe e para perto além de diminuir as distorções de imagem que dificultam a adaptação do usuário deste tipo de lente. Existem até mesmo lentes personalizadas que levam em consideração se aquele usuário tem o hábito de ler movimentando mais os olhos ou a cabeça. Outras opções são usar óculos só para perto ou usar óculos que tenham apenas visão intermediária (entre 1 a 2 metros) e para perto, ideal para quem trabalha no computador a maior parte do tempo.

LENTES DE CONTATO

Pode-se utilizar o grau para longe nas lentes de contato e usar óculos apenas quando for ler. Há também a possibilidade de usar em um dos olhos o grau para longe e no outro o grau para perto. Monovisão é o nome dado a esta prática. É importante fazer um teste para avaliar se você vai se adaptar a este sistema. As lentes de contato multifocais são outra opção. Perde-se um pouco de qualidade de visão com as lentes multifocais e com a monovisão para ganhar liberdade em relação aos óculos.

OPÇÕES CIRÚRGICAS

1. Cirurgia refrativa na córnea:

A miopia proporciona boa visão para perto, principalmente sendo ao redor de 2 a 3 graus. Por este motivo você já pode ter ouvido falar de alguém com 60 anos de idade e que nunca precisou de óculos para leitura. O que ocorre é que esta pessoa tem miopia em pelo menos um dos olhos. Portanto, esta pessoa sempre enxergou bem para perto e mal para longe. A cirurgia refrativa oferece menos riscos que as cirurgias intra-oculares para extração do cristalino. Ela é feita aplicando-se o laser na córnea. Esta técnica é utilizada principalmente em quem tem miopia. Opera-se, então, apenas um dos olhos. O olho operado fica bom para longe e o não operado continua míope e, portanto, com boa visão para perto. 2. Cirurgia para extração do cristalino: O cristalino é uma lente que se localiza na parte interna do olho, logo atrás da íris (aquela parte colorida). Trocando-se esta lente é possível corrigir altas miopias e hipermetropias.

2.1.1. Cirurgia FACO-REFRATIVA:

O cristalino torna-se endurecido após os 40 anos de idade. Este enrijecimento o impede de sofrer a deformação necessária para que se consiga o foco para a visão de perto. Isto ocorre mesmo antes de haver qualquer opacidade nesta lente, ou seja, muito antes de haver catarata. Por este motivo, alguns oftalmologistas preconizam a substituição desta lente ainda transparente por uma lente artificial. Esta é a chamada cirurgia faco-refrativa. Nesta cirurgia retira-se o cristalino endurecido, porém transparente, e o substitui por uma lente artificial. Muitos oftalmologistas contra-indicam esta técnica porque consideram que os riscos envolvidos a curto, médio e longo prazo podem ser maiores que os benefícios.

2.1.2. Extração do cristalino opaco ou CIRURGIA DE CATARATA:

Nesta situação o cristalino já está opacificado, ou seja, já existe catarata. A qualidade e/ou quantidade de visão está comprometida. Cabe então ao médico e ao paciente decidirem o melhor momento para operar. O paciente informará as limitações que está observando na suas atividades diárias por causa da catarata e o médico analisará os riscos envolvidos no procedimento baseado nos exames e na sua experiência. Assim, o médico e o paciente, avaliarão o risco X benefício e se esta equação pender para o benefício, a intervenção cirúrgica será realizada. Após a retirada do cristalino deve-se implantar uma lente artificial intra-ocular (LIO) com o objetivo de deixar o paciente independente dos óculos para longe, para perto ou para longe e perto.

Existem diversos modelos de LIOs.

Basicamente podemos dividir estas lentes em monofocais e multifocais ou bifocais.

" LIO monofocal: As lentes monofocais têm apenas o grau para longe. Quando estas lentes são implantadas, mesmo que se consiga a correção de todo o grau para longe, o paciente precisará de óculos para leitura. A não ser que seja deixado, de forma proposital, um pouco de miopia em um dos olhos (monovisão). Ou seja, um olho vai ficar com visão boa para longe e o outro para perto.

" LIO multifocal: É a tecnologia mais avançada em LIO. Estas lentes produzem dois focos simultaneamente, um para longe e um para perto. O cérebro vai receber as imagens e vai "escolher" qual o melhor foco para o objeto que está sendo visto. Mas o foco do objeto em questão estará sempre um pouco borrado pelo foco secundário. Isto quer dizer que a bifocalidade da LIO causa sempre uma perda de contraste ou de qualidade da imagem. No entanto, o nosso cérebro é uma máquina complexa e completa e consegue usar artifícios para compensar esta perda de contraste. Mas, existem casos em que esta compensação não é tão eficiente e o paciente pode se queixar de dificuldade visual em condições de baixo contraste, exemplo em locais com baixa luminosidade ou em locais escuros com luzes acesas. Dirigir a noite é um exemplo prático destas situações.

Existem outros tipos de lentes sendo estudadas como LIO implantada anterior ao cristalino para corrigir a presbiopia.

Vantagem: é uma cirurgia menos invasiva e de certa forma reversível.

A desvantagem é que a própria lente pode provocar catarata e até mesmo perda de células da córnea a longo prazo. Estas LIOs ainda estão em estudo e os riscos atuais superam os benefícios. O implante de lente na córnea também está sendo estudado. A vantagem desta cirurgia é que envolve menos riscos por não ser uma cirurgia intra-ocular. Ainda não está disponível comercialmente.

Enfim, a correção da presbiopia é hoje o grande foco de pesquisa dentro da oftalmologia. O objetivo é aliar segurança e qualidade de visão numa mesma técnica.

Dra Juliane Paranhos oftalmologista com sub-especialização em córnea pela UNIFESP. www.hospitaldavisao.com.br

Dr Paulo Schor, oftalmologista professor do departamento de cirurgia refrativa da UNIFESP. http://www.55812020.net

 
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