
Chéri
05/03/2010
Título Original
Chéri
País / Data
Inglaterra/Alemanha, 2009
Duração
100 minutos
Diretor
Stephen Frears
Censura
14
Gênero
Romance/Drama
Elenco
Com Michelle Pfeiffer, Kathy Bates, Rupert Friend, Felicity Jones
Sinopse
Na Paris de 1920, o filho de uma cortesã refugia-se em um mundo de fantasia após ser obrigado a terminar seu relacionamento com uma mulher mais velha, que o iniciou nos caminhos do amor.
Site
http://www.cherithemovie.co.uk/
Comentários:
A tentação pode ser grande, mas esqueça a Michelle Pfeiffer de Ligações Perigosas, de 1988. De volta a um filme de época – Chéri, uma das estreias desta sexta-feira (05) em Goiânia –, Michelle é outra, mesmo que novamente dirigida por Stephen Frears, como há 22 anos.
Ela não é mais a mulher de tez acetinada e aparência pura a ser corrompida, embora aos 51 anos ainda seja dona de rara beleza. No lugar da inocência, a atriz agora encarna a experiência, na pele de uma cortesã parisiense que recebe a incumbência de iniciar no amor o jovem filho de uma rival.
Recebido com certa frieza assim que estreou há um ano no Festival de Berlim – tendência que se seguiria em festivais e estreias seguintes –, Chéri pode não se tornar um clássico nem a versão definitiva na telona do livro homônimo da romancista Collete, do qual é mais uma adaptação. Mas não deixa de guardar muitas das singelezas de valor nos filmes de Frears. Uma delas é a capacidade de contar uma história épica com teor absolutamente atual, como a impotência humana diante do envelhecimento.
No enredo, Michelle Pfeiffer é Lea, uma acompanhante de luxo em fim de carreira, herdeira da Belle Époque (então em declínio no início do século 20, mas ainda proporcionando uma Paris exuberante). Em tempos anteriores, ela extraía a sobrevivência em meio ao luxo de sua beleza. Sua vida agora é estável e com frequência continua a se encontrar com outras cortesãs. Uma delas, a maior rival, vivida por Kathy Bates, pede um favor incomum: ensinar as artes do amor para seu filho, Chéri (Rupert Friend), que está no fim da adolescência e é totalmente inexperiente.
A finalidade da empreitada é deixar o jovem pronto, ao cabo de seis anos, para se casar com uma das jovens ricas da sociedade parisiense, plano que a mãe dele, porém, mantém em segredo. Ambos sabem que esta é uma história com final marcado. O que não era esperado, e surpreende todas as partes envolvidas, é que o casal de conveniência acaba vivendo uma intensa história de amor, a ponto de nem mesmo Lea, escolada e sempre resistente às inúmeras armadilhas da paixão, conseguir resistir.
Dilema
Quando o momento derradeiro chega, Chéri acaba absorto em devaneios e Lea se depara com uma dura realidade que mais cedo ou mais todas as mulheres donas de beleza como a sua têm de enfrentar: está envelhecendo. Seu grande dilema está centrado no que virá depois que a imagem refletida no espelho ficar cada vez menos atrativa. Se a idade fez com que fosse uma peça primordial para ajudar no amadurecimento sentimental de Chéri, é ela também que talvez a impedirá de ter outra chance de um grande amor.
É inevitável dizer que o amor entre uma bela mulher madura e um jovem desengonçado mas cativante é um clichê. Mas ao mesmo tempo que é preciso lembrá-lo, é também necessário dizer que sempre se pode extrair algo de bom disso.
Frears tem no currículos ótimas referências: o austero e elogiado docudrama A Rainha (2006), sobre uma crise na família real inglesa; a comédia Sra. Henderson Apresenta (2005), sobre uma artista que revoluciona sua época, e, claro, o próprio Ligações Perigosas, sobre intrigas no seio da aristocracia. Todos clichês bem empregados.
Chéri: Inglaterra/Alemanha, 2009
Direção: Stephen Frears
Elenco: Michelle Pfeiffer, Kathy Bates, Rupert Friend, Felicity Jones
Goiasnet.com/Rodrigo Alves - O Popular
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