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Miami dos brasileiros

20/12/2010

Brasileiros estão em segundo lugar do ranking de visitas a Miami, cidade onde se encontra de tudo, um pouco

Na recepção do hotel, um funcionário ensaia um portunhol. Em um corredor do shopping, ouve-se um indignado "lá no Brasil é uma fortuna!". No café da manhã, uma paulistana comenta estar atrasada para uma reunião de negócios. Em um prédio de luxo, um casal de brasileiros mostra-se interessado em adquirir um apartamento. Na piscina, música popular brasileira por toda a tarde.
Miami é assim, tem um pouquinho do Brasil por todo lado. Para reforçar, em cada canto da cidade há um traço do artista brasileiro Romero Britto, seja em espaços públicos ou em lojinhas de souvenirs. Pouco conhecido em seu País, o pintor pernambucano faz grande sucesso por lá.
A diretora de relações com a mídia do Convention Bureau da cidade, Melina Martinez, confirma o que nota-se de cara. Brasileiros estão em segundo lugar no ranking dos maiores visitantes de Miami.

 

Cerca de 500 mil desembarcam por ano na cidade. O primeiro lugar na lista é dos canadenses. Mas com uma diferença: os brasileiros gastam muito mais, diz Melina.
Para os canadenses, a atração principal é a combinação praia e calor. Produtos baratos eles têm por lá. Para os brasileiros, que já têm de sol e litoral, o principal atrativo são as compras. A diferença de preço já é enorme, com o dólar baixo, então, o apelo é ainda maior. Em uma cidade que ainda sofre os reflexos da crise mundial de 2008, somos turistas-alvos.


E lá se vão horas e horas nos principais shoppings da cidade, que reúnem lojas de marcas famosas, especialmente de roupas e eletrônicos. Na loja da Apple, brasileiros eram puro entusiasmo com o IPad a 489 dólares (cerca de R$ 880), enquanto no Brasil o brinquedinho estreou a R$ 1.650 (valor mínimo).


Exatamente de olho em brasileiros e outros visitantes que priorizam as compras e estão dispostos a gastar por bons serviços, a cidade adotou como estratégia o crescimento do Centro. É comum ouvir dos nativos que, quem esteve em Miami há cinco anos, não reconhece mais Downtown. Foram bilhões em investimentos da iniciativa privada - quatro novos hotéis de luxo dois em construção, dezenas de lojas, 200 novos restaurantes e shoppings, a maioria à margem do Rio Miami, que foi despoluído e é um dos cartões postais da cidade. Na lista dos novos restaurantes, com culinária de dezenas de nacionalidades, pelo menos quatro com comida brasileira, incluindo o Botequim Carioca.


Nos últimos cinco anos, Downtown passou de 3 mil moradores para 40 mil, segundo representantes do Miami Downtown Development Authority, entidade que busca reforçar a posição da região como centro internacional de comércio, cultura e turismo. O Centro ainda ganhou o charme do veículo leve sobre trilhos, com linhas elevadas que compõem bem a cara nova com grandes prédios.
Em Downtown, encontram-se boas lojas de departamento e magazines a preços baixos. É o caso da La Época, umas das mais antigas do Centro. Com três andares, oferece roupas de várias marcas famosas. A loja foi transferida de Havana para Miami em 1965. Seus donos conhecem bem o Brasil, falam português e garantem um excelente atendimento. No Centro, há também a Macy’s, com grande variedade e adorada pelas mulheres.

Mas não apenas em Downtown estão concentradas as boas lojas da cidade. Há dezenas de shoppings mais afastados, mas que devem ser conhecidos. Um deles é o Dolphin Mall, que reúne mais de 240 lojas, incluindo Sony, Victoria Secret, Tommy Hilfiger, Calvin Klein e Nike.


Outro centro famoso de compras, mas que não fica tão em conta, é Lincoln Road, em Miami Beach. Trata-se de um shopping a céu aberto - um calçadão que reúne também restaurantes, cafés e galerias. De Downtown a Miami Beach, são 16 quilômetros por uma ponte que também forma um belo cenário. Fora de horários de pique, a viagem é até bem rápida.


Outras atrações


O "paraíso das compras" reúne também outros atrativos para quem quer curtir natureza, arte, cultura, arquitetura, história. Miami tem com frequência semanas de arte e exposições. Na primeira semana de dezembro, realiza-se a Art Basel Miami Beach, a maior mostra de arte contemporânea dos Estados Unidos. E adivinha? Na edição deste ano, o Brasil foi o país (de total de 29) com maior presença no evento, com 11 galerias.


Para quem curte animais e zoológico, há duas boas opções: Jungle Island e Everglades Alligator Farm (fazenda de jacarés). O primeiro fica entre Downtown e Miami Beach e tem visita com duração de três horas. Os ingressos para adulto custam US$ 32,95 e para criança, US$ 24,95. Cangurus, tartarugas-gigantes e orangotangos estão entre os animais. Em miniteatros ao longo do parque, funcionários fazem shows com animais. Nada muito empolgante, especialmente a quem não agrada ver tigres com coleiras ou pinguins enjaulados.


A fazenda dos jacarés tem espaço mais amplo para os bichos, mas também tem o mesmo tipo de show - novamente, bem sem graça. A visita vale mais pelo passeio de barco, que começa lento e fica "radical" à frente. Belo cenário em voltinha agradável. Os ingressos custam US$ 23 para adultos (visita mais o passeio de barco) e US$ 15,50 para crianças - em valores cobrados este mês.
E como é um jogo de basquete nos Estados Unidos? Um espetáculo, com direito a música durante a partida, narrador-torcedor e empolgação do público, apaixonado pelo Miami Heat - time da cidade - e ávido por aparecer em um dos telões que ficam ao alto no meio da quadra. Experiência bem divertida, na Arena American Airlines.

Art déco presente em Miami


Em Coral Gables, a principal atração é o tradicional hotel Biltmore, que, segundo os guias da cidades, sintetiza o glamour dos anos 1920 de Miami. Com arquitetura diferenciada, o hotel abre para visitas guiadas (e gratuitas) nos finais de semana. Fechado por 13 anos, quando passou por ampla reforma, o local tem fama de abrigar fantasmas.
A diretora de Relações Públicas do hotel, Danielle Finnegan, brinca com a história. Ela confirma que o hotel serviu de hospital durante a Segunda Guerra, mas diz que os boatos são alimentadas por conta do período em que ficou fechado. "Imagina um prédio como esse, estilo castelo, fechado, abandonado, com algumas janelas quebradas. Aí surgem as conversas mesmo", brinca, garantindo que nunca viu fantasmas por lá.
Pois nem dá para pensar nas lendas em um lugar tão bonito: a bela torre de 26 andares - em estilo barroco, inspirada em torre de Sevilha -, a imensa piscina, o campo de golfe, a pintura no teto, os detalhes da decoração, tudo encantador.

 

Art déco
Em Miami Beach, além do mar, há uma atração especial: o estilo arquitetônico predominante, art déco - também visto em alguns prédios Goiânia. Na cidade da Flórida, são centenas de prédios, a maioria muito bem conservada, que formam um distrito.


Voo

 

De olho não só nos brasileiros do centro do País interessados nas compras, mas também naqueles que fazem turismo de negócio, a American Airlines lançou há um mês voo direto Brasília-Miami. "Você toma café-da-manhã em Goiânia e almoça em Miami", brinca o diretor de vendas da empresa, José Roberto Trinca, sobre as sete horas de viagem na nova rota.


A American Airlines oferece voos quatro vezes por semana, mas a intenção é que, em breve, saia autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para saídas diariamente. Brasília passou a ser a sexta cidade com destino a Miami (já há voos de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belo Horizonte).


A viagem saindo de Brasília é em um Boeing 757 com 182 assentos, dos quais 16 na classe executiva. Trinca diz que Goiânia já vem tendo grande contribuição nas viagens da capital federal desde o lançamento do voo, em 18 de novembro. Anápolis, polo empresarial, também é alvo estratégico da companhia aérea.


Voando
Voos Brasília-Miami American Airlines
Classe econômica:a partir de US$ 959 mais taxas de embarque e emissão
Classe executiva:a partir de US$ 2.444 mais taxas de embarque e emissão
Dias:segunda-feira, quinta-feira, sábado e domingo
Horário:10h28 às 15h05 (horário de Miami)
Codeshare:Gol, com saída de Goiânia às 8h10


 O Popular - Fabiana Pulcineli, De Miami

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